Paródia - Gabriel o Pensador
Rap do Antigo
Situação real. Poderia acontecer com você...
Era uma vez...
Dois irmãos gêmeos, um antigo e um novinho,
Desde cedo o novinho sacaneava o antigo, dizendo que
Ele mais tarde ia viajar a passeio, resolver nada pro chefe,
Deixar o bicho nervoso...
-Calaboca, pentelho! – respondia o antigo – Não agüenta o buzão,
Então espera o jatinho...
E o antigo saía sempre fazendo amizade
Sem a menor vaidade, popular na Unidade
Desde cedo o safo mandava bem com as novinhas
E o novinho bolava se amarrotava a camisa
- Que camisa nem boot, aspirão, não esquenta
(ninguém mais presta atenção quando a autoridade entra)
E muito tempo depois, vendo seu irmão novinho tão mal humorado
O antigo sorrindo criou um belo ditado:
“A divisa é passageira, mas atitude é um bem que a gente tem pra vida inteira!”
A mulherada gostava, a psicologia foi sábia – ele ganhava nas divisas, e ainda levava na lábia.
Aê novinha, chega aí, chega mais perto, não tema
Eu sou 100% antigo, eu sei. Qual o problema?
Eu sou antigo, mas te faço feliz, com palavras de anis,
e papaia com licor de cassis
O safo sabe o que faz, o antigo sabe o que diz.
Os detalhes sutis, você vai pedir bis
Mais vale um antigo que é safo que dez aspira infantis
Então pensa num ator, que eu penso numa atriz,
Apaga a luz e vem que o chefe é cego, meu bem
Estica um pouco o seu serviço que eu engato também...
É do antigo que elas gostam mais,
se o antigo dá um vacilo feio – corre atrás
e corre na frente, é valente – chega junto
O antigo inteligente nunca fica sem assunto
Já o novinho é diferente, confia no uniforme e fica meio diz: ...displicente
E nesse meio tempo que o novinho só pensou no visual,
O antigo se alinhou e ganhou – na moral
Na real, o novinho se dá mal geral,
Quando é festa, churrasco, ou serviço no carnaval
Porque quando a secretária dedicada perde a linha
Só olha pro novinho – Nossa, que gracinha!
Mas aí o cabeça branca já tá cheio de cana, junta logo o estrelato pra
Jantar o bacana
E se tiver parte o novinho é quem sobra, um chefe pune, o outro dobra
E adivinha quem escapole?
Acertou bonito quem sacou que é o antigo
Que executa a secretária domingo, só que a serviço...
E se a mesma na fé depois resolve viajar,
O mais antigo traído se recusa a imaginar:
- Quem? Aquele safo ali? Ah, fala sério... se é com ele, pode ir...
Que beleza...
Diz o antigo:
Eu sou antigo, mas eu faço bonito, e as novinha dão grito...
Eu sou antigo, mas a sorte me escolhe, e as novinha dão mole...
E assim termina nossa história surreal
O novinho perdeu promoção, o antigo também,
E todos viveram felizes para sempre, no Sítio do Gama, Brasília, Brasil
Quem quiser pode ir lá conferir.
Novo não paga. Antigo lá só paga meia. É por isso que é sempre casa cheia...
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Tempo e Dinheiro
Com ou sem acento, é uma questão simples. Tem gente que crê que tempo é dinheiro.
O Comandante de minha Unidade perguntou-me como estava minha vida de solteiro. Respondi, decerto irrefletidamente, que as mulheres de meu tempo são diferentes das que estava acostumado a lidar. A vida de divorciado pode ser boa, na medida de que em tais condições perdem-se os grandes receios da vida. É mais fácil decidir coisas difíceis quando não há “interferência” no nosso decidir. Quando casado, havia sempre a preocupação de evitar os dissabores de explicar à cara metade uma série de problemas, inclusive a possibilidade de passar alguns dias “guardado” na Unidade. A vida de sargento casado muitas vezes é inferno e paraíso, num paradoxo que certamente repercute em nossas vidas profissionais.
Noutras vezes há certa graça que se eu pudesse, compartilhava com todo o efetivo. Quem vai dizer que nunca teve vontade de fazer valer a realidade do que você deseja às pessoas com que se convive? Fazer a diferença é um dos objetivos que se acredita mais nobre em qualquer ser humano.
Pouca coisa é mais gratificante – e motivante – que a aplicação completa de todo o potencial pessoal. Quando penso no assunto, é porque muitas vezes observo as diferenças no árido terreno da cadeia de comando. Relaxemos. Nada do que há de ser escrito que possa ferir regulamentos. Não mais do que costuma acontecer em decorrência de nossas omissões.
É questão de se registrar, antes que se perca a oportunidade e propriedade, que dos quartéis saem os brasileiros mais disciplinados. Se é que é possível discernir disciplina e acatação sem confundi-la com a aceitação irrefletida dos constantes abusos aos quais muitas vezes é submetido o funcionalismo público, quer na esfera civil ou militar. O ponto positivo de um quartel é a rotina. Permite que o indivíduo se organize e se concentre. Arte da vida de quartel.
Por outro lado, o ambiente de rotina faz com que o ser humano perca um pouco da criatividade característica do meio civil. Quando aparece um problema no funcionamento no seio militar, sempre é um caso novo que deve ser pesquisado. Com iniciativa regulamentar às competências é muito comum que ninguém tome posição alguma. Trata-se de um limbo orientativo que se agrava nas forças militares desde a transição de governo iniciada com Ernesto Geisel para as mãos da sociedade civil. A maior parte dos dispositivos implantados pelos militares como forma de contenção do interesse escuso privado no poder público já não subsiste.
Cinco presidentes militares foram suficientes para iniciar a ratificação da meritocracia. Como na vida castrense, qualquer grupo depende da existência e preparo de pessoas que orientem-se à formação de um grupo coeso para a obtenção de objetivos de grupos ou instituições. Gente que saiba exatamente o que se passa e o que fazer.
O que em outras palavras significa agregar potenciais.
Admito assistir poucos programas televisivos.Talvez herança de uma geração que acreditava que a mesma resulta em alienação, o fato é que costumo escolher com objetividade meus canais. Canais abertos foram abolidos há alguns anos de minha residência, substituídos por um canal onde é apresentado um programa do universo empresarial chamado ManagemenTV, que é bastante interessante. Conforme aplico alguns conceitos que desejo à Sala Telegráfica, obtenho resultados impressionantes. Faço-o porque dependo de meus colegas de trabalho para que possamos dar vazão ao fluxo operacional e administrativo violento no caso de queda de nossos sistemas de segurança – essencialmente digitais. Sempre será necessário disponibilidade de grupos de comunicação eficazes o suficiente para transmitir mensagens tão rápido como era feito quando ainda utilizavam-se telégrafos.
A disposição da doutrina militar vigente em décadas passadas faziam uso da distribuição hierarquizada de pessoas consubstanciadas às necessidades do Estado. Com o advento do avanço tecnológico de meios, essa cultura perdeu-se entre redes e servidores, numa falsa crença que tudo o que é necessário para a segurança de um país deva-se sobremaneira à tecnologia de informação. Fosse a afirmação verdadeira, não haveria como explicar o insucesso de qualquer país em empreitadas militares na comunidade árabe. Toda tecnologia de combate propagandeada pela CNN na guerra do golfo não eclipsa o fato de ter falhado, em variados escopos, o embate bélico. Por pessoas comuns, sem redes de comunicação desenvolvidas, com velhas AK-47. O natural espírito aguerrido do árabe sugere sua superioridade aos seus eventuais invasores.
Constato constantemente que o Brasil estava mais seguro quando havia telegrafistas militares. Quando a comunicação operacional e administrativa passava obrigatoriamente por equipes de serviço. Era mais difícil combinar desordem. Quando o explico para as pessoas, muitas apresentam tendência de crer que desejo o retorno de máquinas telex ou manipuladores às posições operacionais das atualmente capengas salas telegráficas da Força Aérea. Não é nada disso. É uma questão conceitual:
É mais difícil transpor homens que máquinas. Você pode pular uma catraca, driblar uma fechadura eletrônica, contornar o caminho de um tanque de guerra. Não pode contornar um sentinela atento e armado.
Trata-se da crítica natural de um militar – e militante sentinela – que assiste efeitos dos embates externos e faz análise própria dos fatos. Na maioria das guerras modernas há de se atentar ao fato que tecnologia não tem poder de ocupação. Gente tem o poder de ocupação, o que devolve ao elemento humano a habilidade de organização para consecução dos objetivos de sua nação. Para o militar médio é difícil ver com bons olhos a disposição com que sistemas distintos apóiam-se de forma dependente da rede Intraer, por exemplo. Companheiros mais antigos manifestam timidamente algum grau de preocupação que, mesmo considerando pouco específico meu conhecimento em redes digitais, acredito procedentes.
O Comandante de minha Unidade perguntou-me como estava minha vida de solteiro. Respondi, decerto irrefletidamente, que as mulheres de meu tempo são diferentes das que estava acostumado a lidar. A vida de divorciado pode ser boa, na medida de que em tais condições perdem-se os grandes receios da vida. É mais fácil decidir coisas difíceis quando não há “interferência” no nosso decidir. Quando casado, havia sempre a preocupação de evitar os dissabores de explicar à cara metade uma série de problemas, inclusive a possibilidade de passar alguns dias “guardado” na Unidade. A vida de sargento casado muitas vezes é inferno e paraíso, num paradoxo que certamente repercute em nossas vidas profissionais.
Noutras vezes há certa graça que se eu pudesse, compartilhava com todo o efetivo. Quem vai dizer que nunca teve vontade de fazer valer a realidade do que você deseja às pessoas com que se convive? Fazer a diferença é um dos objetivos que se acredita mais nobre em qualquer ser humano.
Pouca coisa é mais gratificante – e motivante – que a aplicação completa de todo o potencial pessoal. Quando penso no assunto, é porque muitas vezes observo as diferenças no árido terreno da cadeia de comando. Relaxemos. Nada do que há de ser escrito que possa ferir regulamentos. Não mais do que costuma acontecer em decorrência de nossas omissões.
É questão de se registrar, antes que se perca a oportunidade e propriedade, que dos quartéis saem os brasileiros mais disciplinados. Se é que é possível discernir disciplina e acatação sem confundi-la com a aceitação irrefletida dos constantes abusos aos quais muitas vezes é submetido o funcionalismo público, quer na esfera civil ou militar. O ponto positivo de um quartel é a rotina. Permite que o indivíduo se organize e se concentre. Arte da vida de quartel.
Por outro lado, o ambiente de rotina faz com que o ser humano perca um pouco da criatividade característica do meio civil. Quando aparece um problema no funcionamento no seio militar, sempre é um caso novo que deve ser pesquisado. Com iniciativa regulamentar às competências é muito comum que ninguém tome posição alguma. Trata-se de um limbo orientativo que se agrava nas forças militares desde a transição de governo iniciada com Ernesto Geisel para as mãos da sociedade civil. A maior parte dos dispositivos implantados pelos militares como forma de contenção do interesse escuso privado no poder público já não subsiste.
Cinco presidentes militares foram suficientes para iniciar a ratificação da meritocracia. Como na vida castrense, qualquer grupo depende da existência e preparo de pessoas que orientem-se à formação de um grupo coeso para a obtenção de objetivos de grupos ou instituições. Gente que saiba exatamente o que se passa e o que fazer.
O que em outras palavras significa agregar potenciais.
Admito assistir poucos programas televisivos.Talvez herança de uma geração que acreditava que a mesma resulta em alienação, o fato é que costumo escolher com objetividade meus canais. Canais abertos foram abolidos há alguns anos de minha residência, substituídos por um canal onde é apresentado um programa do universo empresarial chamado ManagemenTV, que é bastante interessante. Conforme aplico alguns conceitos que desejo à Sala Telegráfica, obtenho resultados impressionantes. Faço-o porque dependo de meus colegas de trabalho para que possamos dar vazão ao fluxo operacional e administrativo violento no caso de queda de nossos sistemas de segurança – essencialmente digitais. Sempre será necessário disponibilidade de grupos de comunicação eficazes o suficiente para transmitir mensagens tão rápido como era feito quando ainda utilizavam-se telégrafos.
A disposição da doutrina militar vigente em décadas passadas faziam uso da distribuição hierarquizada de pessoas consubstanciadas às necessidades do Estado. Com o advento do avanço tecnológico de meios, essa cultura perdeu-se entre redes e servidores, numa falsa crença que tudo o que é necessário para a segurança de um país deva-se sobremaneira à tecnologia de informação. Fosse a afirmação verdadeira, não haveria como explicar o insucesso de qualquer país em empreitadas militares na comunidade árabe. Toda tecnologia de combate propagandeada pela CNN na guerra do golfo não eclipsa o fato de ter falhado, em variados escopos, o embate bélico. Por pessoas comuns, sem redes de comunicação desenvolvidas, com velhas AK-47. O natural espírito aguerrido do árabe sugere sua superioridade aos seus eventuais invasores.
Constato constantemente que o Brasil estava mais seguro quando havia telegrafistas militares. Quando a comunicação operacional e administrativa passava obrigatoriamente por equipes de serviço. Era mais difícil combinar desordem. Quando o explico para as pessoas, muitas apresentam tendência de crer que desejo o retorno de máquinas telex ou manipuladores às posições operacionais das atualmente capengas salas telegráficas da Força Aérea. Não é nada disso. É uma questão conceitual:
É mais difícil transpor homens que máquinas. Você pode pular uma catraca, driblar uma fechadura eletrônica, contornar o caminho de um tanque de guerra. Não pode contornar um sentinela atento e armado.
Trata-se da crítica natural de um militar – e militante sentinela – que assiste efeitos dos embates externos e faz análise própria dos fatos. Na maioria das guerras modernas há de se atentar ao fato que tecnologia não tem poder de ocupação. Gente tem o poder de ocupação, o que devolve ao elemento humano a habilidade de organização para consecução dos objetivos de sua nação. Para o militar médio é difícil ver com bons olhos a disposição com que sistemas distintos apóiam-se de forma dependente da rede Intraer, por exemplo. Companheiros mais antigos manifestam timidamente algum grau de preocupação que, mesmo considerando pouco específico meu conhecimento em redes digitais, acredito procedentes.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Fé
Tenho uma fé muito grande em Deus, e utilizo-a na medida do possível na Força Aérea. E as duas vontades me movem em direção ao trabalho.
E toda vez que exagero um pouco e falta ferramentas, a inspiração vem. Inspiro-me com tudo: com as idéias, com a engenhosidade e as pessoas. Sem dúvida, o que mais tenho carinho é pelas pessoas.
Então quando perco um pouco a paciência, peço às pessoas que me não me levem a mal. É raro, mas acontece.
Mas antes de pedir a compreensão das pessoas, peço a orientação de Deus. E ele responde. Hoje mesmo, um bom homem chamado Gilson me deu uma dica. Vou guardá-la comigo.
Minha fé tem aumentado a cada dia, e a gente normalmente acha que tem o máximo de fé. Sempre há espaço para mais.
Tenho fé em várias coisas. Não é vã. É porque sei de onde vêm, de Deus. Vou explicar do meu jeito falho como isso se manifesta:
Na vontade das pessoas.
Deus “reforça” a vontade das pessoas. Através das pessoas se manifesta a vontade divina, e mundana. Tenho estado tranqüilo, nada me tira o sono. Eu é que gosto de ficar acordado à noite.
E na falta do que fazer – servir é meio parado quando não se é mais soldado – sirvo a vontade das outras pessoas como se fossem vontades de Deus. Tento tratar as outras pessoas o mais próximo possível do que gostaria que fossem tratadas por Deus. E tento também fazer a vontade de Deus entre as pessoas. Por isso falo demais. Às vezes acho que Deus gostaria de ser tagarela, como eu, para ter a sorte que tenho de se aproximar das pessoas. Mas o mistério – é o mistério! Só será revelado no momento. Momentum.
Mas tem o detalhe: você tem que saber exatamente quem é seu Deus. Evite agradar o deus errado. Inclusive desrespeitando a pontuação ortográfica.
Dado o alarde à minha volta, nas últimas semanas, minha intenção é apaziguar e explicar algumas coisas às pessoas, para que não se espantem com a tranqüilidade que manifestarei a partir do momento que publicar essa nota.
Acho que já provei meu ponto. É possível servir às pessoas. E quase de graça, quer um exemplo?
Das várias pessoas que conheço, as mais humildes eventualmente são mais felizes. É que os poderosos, como os ricos, sofrem assédios de todo tipo. Pedidos, recomendações, bajulações... é pouco provável que alguém realmente influente tenha bons momentos de tranqüilidade, conforme dos escritos de Lin Yutang.
Então, compadecido com algumas pessoas influentes que tinham problemas com gente aproveitando-se de sua boa vontade, ouvi-os com atenção.
Diziam que:
- o serviço militar não é para enriquecer;
- problemas legais dão trabalho;
- falta gente para trabalhar.
Guardei essas idéias. Olhei o ambiente à minha volta e busquei todos os processos possíveis para assegurar que essas pessoas influentes tivessem a certeza de que cada gestão tenha seu próprio “staff”. Não um monte de gente estranha fazendo pedidos absurdos.
Assim você consegue tempo.
Quem já leu o livro “Como Perder Amigos e Enfurecer Pessoas” entende o que se está falando. Esse livro destaca que a maior parte das coisas que nos atrapalha a concentração são as pessoas que influenciam negativamente sua concentração.
De acordo com o autor, a lógica diz que é importante mantê-los à distância.
Outro livro muito interessante foi de Jorge Motta. Os Três Poderes Informais de Brasília são uma expressão muito interessante da manifestação das boas e más idéias das pessoas. Durante a criação de Brasília, o poder que gera a riqueza e a segurança do país também pode gerar idiossincrasias pra lá de estranhas. De acordo com Jorge Motta – ex soldado – os três poderes informais de Brasília (TPIB) são a Mulher, a Amante e os Comensais.
Jorge Motta foi safo: escreveu bastante sobre os Comensais. Deu uma ou outra pincelada na questão das vontades da Mulher, mas não abordou as amantes.
Entendi que as amantes não eram relevantes, porque representavam um problema – não um ponto de apoio – para qualquer autoridade. Naturalmente, amantes têm pouca perspectiva ao longo do tempo. Na verdade, autoridade que é autoridade mesmo não tem tempo para amantes. Por isso amantes são irrelevantes, no livro de Jorge Motta.
Tem gente que diz que mulher de autoridade manda mais que o próprio. Na verdade, acho que um sempre é extensão do poder do outro. Por isso as famílias são sempre fortes: quando um casal decide unir forças, não há o que os detone. A não ser o próprio casal.
Agora, os comensais...
Esse é o real problema de Brasília. O povo que come à mesa das autoridades é realmente um problema. Por isso algumas atividades do estado são tão fechadas: para que não haja influência externa. O comensal foi descrito como um problema justamente porque obstrui o tempo, manipula e artificializa o ambiente. Isso é nefasto em qualquer atividade.
Jorge Motta, já civil, descreveu uma manobra defensiva exímia. Se tivesse sido após a CF/88, tinha exterminado o oponente com uma ou duas canetadas. Abstendo-se do combate posteriormente, o próprio comensal caiu por si mesmo.
Depois de descobrir a figura do comensal tomei um susto quando olhei em volta. Os comensais de hoje são diferentes. Sabem ser discretos em sua malvadeza – e isso é uma arte difícil. Mas os recursos para vencê-los já são vastos...
O problema é quando os comensais crêem que seu poder é infinito. Acham-se acima das autoridades, e é isso o que degrada o ambiente. Ninguém deveria tentar ser mais que quem provê sua força. Ponha-se no lugar de Deus: você gostaria que fizessem isso?
Ser Deus deve ser complicadíssimo. E a pior coisa que alguém que entende do assunto quer é um leigo dizendo que faz melhor. Incomoda.
Deus é que julga. E ele tem as pessoas certas imiscuídas à massa parva que nos cerca. Uma massa de gente que ainda não reconheceu em seu semelhante um pedacinho de Deus.
Pedacinhos que somos, não devemos deixar de combater o que nos corrói: a corrupção. Não a corrupção do próprio corpo, mas grupos corruptos. A corrupção é um câncer que corrói nosso cotidiano. Tem gente que é corrupta e sequer se dá conta.
Mas quem julga é Deus. E Ele tudo vê, através de nossos próprios olhos.
Como Deus está nas pessoas, ele deve se manifestar. Em cada um.
No Comandante de cada Força, e de cada Unidade.
Nos Juízes, advogados, agentes...
No operador reprográfico, no editor...
No Oficial de Dia e no Oficial de Justiça.
Em você. Seja feita sua – que também é a minha, a vossa vontade!
Mas principalmente a de Deus.
Amém, é ou não é?
PS: fiquei sabendo que tem gente sugerindo meu nome para Conselho de Disciplina ou avaliação psicológica. Bobagem. Ter fé na lei não é loucura nem transgressão. Mesmo na lei do homem, pálida cópia da divina.
E toda vez que exagero um pouco e falta ferramentas, a inspiração vem. Inspiro-me com tudo: com as idéias, com a engenhosidade e as pessoas. Sem dúvida, o que mais tenho carinho é pelas pessoas.
Então quando perco um pouco a paciência, peço às pessoas que me não me levem a mal. É raro, mas acontece.
Mas antes de pedir a compreensão das pessoas, peço a orientação de Deus. E ele responde. Hoje mesmo, um bom homem chamado Gilson me deu uma dica. Vou guardá-la comigo.
Minha fé tem aumentado a cada dia, e a gente normalmente acha que tem o máximo de fé. Sempre há espaço para mais.
Tenho fé em várias coisas. Não é vã. É porque sei de onde vêm, de Deus. Vou explicar do meu jeito falho como isso se manifesta:
Na vontade das pessoas.
Deus “reforça” a vontade das pessoas. Através das pessoas se manifesta a vontade divina, e mundana. Tenho estado tranqüilo, nada me tira o sono. Eu é que gosto de ficar acordado à noite.
E na falta do que fazer – servir é meio parado quando não se é mais soldado – sirvo a vontade das outras pessoas como se fossem vontades de Deus. Tento tratar as outras pessoas o mais próximo possível do que gostaria que fossem tratadas por Deus. E tento também fazer a vontade de Deus entre as pessoas. Por isso falo demais. Às vezes acho que Deus gostaria de ser tagarela, como eu, para ter a sorte que tenho de se aproximar das pessoas. Mas o mistério – é o mistério! Só será revelado no momento. Momentum.
Mas tem o detalhe: você tem que saber exatamente quem é seu Deus. Evite agradar o deus errado. Inclusive desrespeitando a pontuação ortográfica.
Dado o alarde à minha volta, nas últimas semanas, minha intenção é apaziguar e explicar algumas coisas às pessoas, para que não se espantem com a tranqüilidade que manifestarei a partir do momento que publicar essa nota.
Acho que já provei meu ponto. É possível servir às pessoas. E quase de graça, quer um exemplo?
Das várias pessoas que conheço, as mais humildes eventualmente são mais felizes. É que os poderosos, como os ricos, sofrem assédios de todo tipo. Pedidos, recomendações, bajulações... é pouco provável que alguém realmente influente tenha bons momentos de tranqüilidade, conforme dos escritos de Lin Yutang.
Então, compadecido com algumas pessoas influentes que tinham problemas com gente aproveitando-se de sua boa vontade, ouvi-os com atenção.
Diziam que:
- o serviço militar não é para enriquecer;
- problemas legais dão trabalho;
- falta gente para trabalhar.
Guardei essas idéias. Olhei o ambiente à minha volta e busquei todos os processos possíveis para assegurar que essas pessoas influentes tivessem a certeza de que cada gestão tenha seu próprio “staff”. Não um monte de gente estranha fazendo pedidos absurdos.
Assim você consegue tempo.
Quem já leu o livro “Como Perder Amigos e Enfurecer Pessoas” entende o que se está falando. Esse livro destaca que a maior parte das coisas que nos atrapalha a concentração são as pessoas que influenciam negativamente sua concentração.
De acordo com o autor, a lógica diz que é importante mantê-los à distância.
Outro livro muito interessante foi de Jorge Motta. Os Três Poderes Informais de Brasília são uma expressão muito interessante da manifestação das boas e más idéias das pessoas. Durante a criação de Brasília, o poder que gera a riqueza e a segurança do país também pode gerar idiossincrasias pra lá de estranhas. De acordo com Jorge Motta – ex soldado – os três poderes informais de Brasília (TPIB) são a Mulher, a Amante e os Comensais.
Jorge Motta foi safo: escreveu bastante sobre os Comensais. Deu uma ou outra pincelada na questão das vontades da Mulher, mas não abordou as amantes.
Entendi que as amantes não eram relevantes, porque representavam um problema – não um ponto de apoio – para qualquer autoridade. Naturalmente, amantes têm pouca perspectiva ao longo do tempo. Na verdade, autoridade que é autoridade mesmo não tem tempo para amantes. Por isso amantes são irrelevantes, no livro de Jorge Motta.
Tem gente que diz que mulher de autoridade manda mais que o próprio. Na verdade, acho que um sempre é extensão do poder do outro. Por isso as famílias são sempre fortes: quando um casal decide unir forças, não há o que os detone. A não ser o próprio casal.
Agora, os comensais...
Esse é o real problema de Brasília. O povo que come à mesa das autoridades é realmente um problema. Por isso algumas atividades do estado são tão fechadas: para que não haja influência externa. O comensal foi descrito como um problema justamente porque obstrui o tempo, manipula e artificializa o ambiente. Isso é nefasto em qualquer atividade.
Jorge Motta, já civil, descreveu uma manobra defensiva exímia. Se tivesse sido após a CF/88, tinha exterminado o oponente com uma ou duas canetadas. Abstendo-se do combate posteriormente, o próprio comensal caiu por si mesmo.
Depois de descobrir a figura do comensal tomei um susto quando olhei em volta. Os comensais de hoje são diferentes. Sabem ser discretos em sua malvadeza – e isso é uma arte difícil. Mas os recursos para vencê-los já são vastos...
O problema é quando os comensais crêem que seu poder é infinito. Acham-se acima das autoridades, e é isso o que degrada o ambiente. Ninguém deveria tentar ser mais que quem provê sua força. Ponha-se no lugar de Deus: você gostaria que fizessem isso?
Ser Deus deve ser complicadíssimo. E a pior coisa que alguém que entende do assunto quer é um leigo dizendo que faz melhor. Incomoda.
Deus é que julga. E ele tem as pessoas certas imiscuídas à massa parva que nos cerca. Uma massa de gente que ainda não reconheceu em seu semelhante um pedacinho de Deus.
Pedacinhos que somos, não devemos deixar de combater o que nos corrói: a corrupção. Não a corrupção do próprio corpo, mas grupos corruptos. A corrupção é um câncer que corrói nosso cotidiano. Tem gente que é corrupta e sequer se dá conta.
Mas quem julga é Deus. E Ele tudo vê, através de nossos próprios olhos.
Como Deus está nas pessoas, ele deve se manifestar. Em cada um.
No Comandante de cada Força, e de cada Unidade.
Nos Juízes, advogados, agentes...
No operador reprográfico, no editor...
No Oficial de Dia e no Oficial de Justiça.
Em você. Seja feita sua – que também é a minha, a vossa vontade!
Mas principalmente a de Deus.
Amém, é ou não é?
PS: fiquei sabendo que tem gente sugerindo meu nome para Conselho de Disciplina ou avaliação psicológica. Bobagem. Ter fé na lei não é loucura nem transgressão. Mesmo na lei do homem, pálida cópia da divina.
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